AS VOLTAS DO VENTO: Cartas marinheiras


Eu andei por vários lugares
e não encontrei o amor da
minha vida bandida.
Estive nos lugares errados.
Sempre onde ele não estava.
Sempre enquanto ele dormia...

Onde eu estava enquanto
ele me esperava?
De certo perdida,
Sem rumo...
Sem sentido.

A gente não se entendia
Eu calava quando ele falava
ele saia quando eu lhe respondia.
Mas depois ele voltava...
sorria e me beijava.

Eu depois me arrependia
e pensava que nunca mais o veria.
Ele cansou de ir embora
Eu cansei de procurá-lo

Foi embora sem rumo...
Num barco pequeno e vazio
e eu o avistava de longe
Enquanto o vento
soltava os cachos
dos meus cabelos assanhados.

Depois de muito tempo
E uma imensidão de dias
Era ele que me procurava
E eu sumida, nem sabia


No retorno do tempo
O mundo girava como um redemoinho
E o vento não parou
até que o dia acabou.

Quando me encontrou as
horas passadas pararam o tempo
no tempo em que a gente se via todo dia.
Há muito tempo...
Eu parei de andada quando ele voltou
Os dias não mais acabavam
porque o vento não deixava.

Tudo era igual o tempo todo.
Ele voltou quando eu já havia desistido
Voltou pois nada tinha mais
a beleza de antes
Eu havia desistido e pra algum lugar
o vento levou meu recado.

Meu laço de fita,
em suas mãos calejadas
Virou nó de marinheiro
E o vento levou o cheiro do me cabelo pra perto dele
Porque eu já o esquecia

Quando ele voltou tudo estava do mesmo jeito
Porque o vento conservou o tempo
Mais eu não era mais a mesma
A espera me cansara e eu fraca não tinha forças pra sorrir
Parada, ele conseguiu me encontrar.

Pude sentir a leveza de sua alma ao me abraçar
Senti sua saudade e ele a minha espera
Na longa jornada voltando o mundo
Eu pra um lado e ele para o outro
Como eu disse, a gente não se entendia.

E depois de um tempo nada era mais a mesma coisa.
tudo era casa, mata...
Tudo era mar...
Tudo era lar.

Se não chegasse agora eu
arrodearia o mundo nessa hora
E na medida em que o mundo girava
O barco voltava.
E na volta parou em mim.

Depois de um tempo de arrodeio
Finalmente tudo era música e maresia.
Tudo era poesia
Tudo era ventania.

O vento soprava e meus cabelos se assanhavam
enquanto os cachos se desmanchavam...
Ele olhava, sorria e me beijava apertado...
Abri os olhos e nem acreditei
Já era de manhã quando festa acabou.



Flor de Lima
10/11/2008